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Opinião: A Incontinência urinária feminina tem tratamento

Artigo de Opinião de Raquel Jacinto – Especialista em Fisioterapia Materno-Infantil e Saúde Pélvica

A Incontinência Urinária (IU) é um problema de saúde muito frequente na nossa sociedade e estima-se que 25% a 45% das mulheres sofra de incontinência urinária em alguma fase da sua vida. A Incontinência urinária é definida como a “queixa de qualquer perda involuntária de urina”, sejam apenas umas gotas ou em muita quantidade, e que pode afetar mulheres de todas as idades. Existem vários tipos de incontinência urinária, sendo as mais comuns: a incontinência urinária de esforço (perdas urinárias ao tossir, rir, prática desportiva, saltar, correr etc…), de emergência (perdas de urina por vontade súbita e não conseguir chegar a tempo ao WC) e mista (perdas urinárias em ambas as situações anteriormente descritas).

Apesar da sua elevada prevalência, são poucas as mulheres que procuram ajuda e tratamento. Os motivos podem ser culturais que vão passando de geração em geração (as nossas avós, as nossas mães também tiveram perdas urinárias, porque se foi mãe há muito ou pouco tempo, porque a barriga está grande na gravidez), sociais (por vergonha em assumir o problema e falar sobre ele) ou assumir que é um problema que não tem tratamento.

 As perdas urinárias podem estar presentes em várias fases da vida da mulher como na gravidez, pós- parto e menopausa mas também em situações mais especificas como na presença de patologia respiratória com tosse persistente ou crónica, multiparidade, alterações hormonais, prolapso dos órgãos pélvicos, prática de exercícios de alto impacto, cirurgias pélvicas (histerectomias), obesidade, esforços que impliquem cargas elevadas, entre outras, no entanto,  qualquer que seja a situação NÃO podem ser assumidas como algo normal.  Relativizar ou normalizar a situação não será o melhor nem vai fazer com que o problema desapareça porque a incontinência urinária tem um impacto negativo na qualidade de vida das mulheres, levando muitas vezes ao isolamento social, desistência da prática desportiva, inibição da realização de atividades recreativas e exercício físico e com impacto na vida profissional e sexual. Está também associada a ansiedade e depressão.

A incontinência urinária tem tratamento. Têm causas, métodos de diagnóstico e tratamento diferentes, pelo que carecem sempre de uma cuidada avaliação. A Fisioterapia em Saúde Pélvica é uma área da Fisioterapia que  ajuda a tratar e a prevenir a incontinência urinária e é primeira opção de tratamento nestes casos.

Como pode a fisioterapia Pélvica ajudar?

Uma possíveis causas da incontinência urinária são as alterações ao nível da musculatura do pavimento pélvico (fraqueza, lesão, aumento da tensão ou força exagerada dos músculos do pavimento pélvico, falta de coordenação dos músculos). Os músculos do pavimento pélvico, são músculos que envolvem a nossa vagina e anus e que se vão inserir ao nível da nossa pélvis na parte inferior, sacro e cóxis, superficialmente e profundamente. Na posição de sentados nós estamos sentados em cima dos músculos do pavimento pélvico. Podemos olhar para eles como o chão de uma casa e desta forma facilmente perceber que eles são responsáveis por dar suporte, em conjunto com outras estruturas, às vísceras pélvicas: à bexiga, útero e intestino e perceber que existe então uma relação entre os músculos e as vísceras pélvicas. São ainda responsáveis por manter a continência, isto é, de contrair e relaxar de forma consciência para  seja possível urinar e defecar.

Muitos se fala nos exercícios de Kegel na gravidez, no pós- parto e a evidência diz-nos que estes exercícios são eficazes no tratamento e prevenção da incontinência urinária, no entanto, é importante perceber, como vimos anteriormente, que o pavimento pélvico pode estar com várias alterações e por isso a abordagem irá ser diferente em cada situação e por esse motivo nunca deverão ser realizados sem uma avaliação prévia. É necessário primeiro perceber a causa que está a provocar a incontinência urinária. O tratamento e a prescrição de exercício dos músculos do pavimento pélvico deverão ser sempre individualizados e prescritos pelo fisioterapeuta. Até porque podem não ser indicados para situações especificas. A alterações comportamentais e de hábitos de vida, assim como ganho de consciência corporal e postural fazem também parte do tratamento.

Fontes: PlanetAlgarve; A Verdade; A Voz do Algarve