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Dia Mundial da Alimentação: Um dia por muitos esquecido

O dia 16 de Outubro marca o dia da fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Além de marcar a fundação desta importante instituição, este dia passou também a marcar o Dia Mundial da Alimentação, desde 1979, com o objetivo de alertar para temáticas como a fome e a importância de uma nutrição adequada para todos.

Embora ainda haja números alarmantes e que devem ser combatidos globalmente é notória a melhoria em problemáticas como a pobreza e fome relativamente ao séc. XX. O mesmo não pode ser dito em relação ao aumento da prevalência de doenças não transmissíveis, muitas vezes também apelidadas de doenças crónicas, que se tem vindo a registar nas últimas décadas.

Atualmente, estas patologias, são responsáveis pela morte de 41 milhões de pessoas por ano, o que equivale a 74% de todas as mortes no mundo. Estas doenças estão associadas a uma combinação de inúmeros fatores de riscos, alguns deles que não podemos controlar, no entanto existem outros fatores que temos poder para alterar e assim prevenir o seu aparecimento.

De acordo com a literatura mais recente, os fatores responsáveis pela maior perda de anos de vida por morte prematura, são maioritariamente atribuíveis a fatores de risco comportamentais, dos quais podemos destacar, uma nutrição inadequada e deficitária, um índice de massa corporal elevado (≥25kg/m2), tabagismo, um elevado consumo de bebidas alcoólicas e um baixo nível de atividade física. Tendo todos estes fatores em conta, é fácil perceber o papel fundamental que uma alimentação saudável tem na proteção e prevenção do surgimento destas doenças.

Visto que atualmente parecem existir tantas perspetivas e abordagens distintas relativamente ao que é considerado ser uma alimentação saudável, coloca-se então a questão, que recomendações devem então ser seguidas?

Primeiramente o pilar base para uma alimentação saudável assenta na premissa da existência de um balanço energético neutro, isto é, a ingestão energética deve ser igual à energia gasta pelo nosso organismo, de forma a que não exista uma acumulação da energia em excesso sob a forma de massa gorda.

Adicionalmente, é necessário priorizar uma alimentação rica em hortofrutícolas, cereais integrais, fontes proteicas magras e fontes de gordura saudáveis, como os frutos oleaginosos, por exemplo. É igualmente importante limitar a ingestão de alimentos ricos em açúcares adicionados e sal, bem como reduzir o consumo de álcool.

Todas estas recomendações tratam-se de orientações para a população em geral. Num contexto mais individualizado, dependendo do estado nutricional do indivíduo e dos seus objetivos, é necessário adaptar estas recomendações às suas necessidades e preferências e, caso seja necessário, aplicar estratégias nutricionais mais específicas, pois só assim será possível fazer alterações sustentáveis a longo prazo com resultados sólidos e consistentes.

Embora seja quase senso comum o impacto que a alimentação tem na saúde porque é que apenas uma pequena fração tenta por si próprio ou recorre a ajuda de um profissional para ter uma alimentação mais saudável? Porque, tal como muitos outros fatores de risco comportamentais, o comportamento em causa, neste caso uma má alimentação, não tem necessariamente consequências imediatas e mensuráveis.

E é certo que, embora não tenhamos um feedback instantâneo das nossas negligências diárias e que até acabemos por menosprezá-las e esquecê-las, o nosso organismo não se irá esquecer.

Manuel Condeço